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27 · agosto · 2026 Para Profissionais 7 min de leitura

Materiais antichama para estofados: normas, laudos e como usar certo

Materiais antichama para estofados: normas, laudos e como usar certo




Um cliente pede um estofado antichama para a recepção de uma clínica. Outro precisa revisar as poltronas de um hotel antes da vistoria do Corpo de Bombeiros. Um terceiro quer saber se o courvin que você usa “vale como antichama”.

A resposta para as três perguntas começa no mesmo lugar: entender o que as normas brasileiras realmente exigem, e o que é material antichama de fato, não só no rótulo.

O que “antichama” significa nas normas

Nenhuma norma exige que o material “não pegue fogo”. O que a legislação controla é como o material se comporta quando exposto ao fogo, especialmente se propaga a chama ou a contém.

A referência principal no Brasil é a ABNT NBR 9442 (ABNT é a Associação Brasileira de Normas Técnicas), que mede o índice de propagação superficial de chama (Ip). Para que um material seja aceito em edificações com controle de incêndio, o Ip precisa ser igual ou inferior a 75. Além disso, a fumaça gerada é avaliada separadamente: a densidade óptica específica (DM) deve ficar igual ou abaixo de 450, conforme a ASTM E662, norma americana que mede a densidade da fumaça.

Esses dois critérios formam o que o Corpo de Bombeiros chama de CMAR (Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento). É o CMAR que define se o material pode ou não ser instalado em locais que precisam do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros).

Três formas de um material ser antichama

Não é tudo igual. Existem três caminhos distintos para um tecido, espuma ou sintético apresentar comportamento antichama, e cada um tem implicações diferentes para o profissional.

1. Fibra inerentemente antichama

São materiais em que a resistência ao fogo está na própria estrutura da fibra, sem depender de tratamento superficial. As mais comuns são a aramida (Kevlar e Nomex, usadas em EPIs, os Equipamentos de Proteção Individual), a modacrílica e o poliéster IFR (Inherently Flame Retardant, ou seja, retardante de chama por natureza).

A vantagem é que a propriedade não desaparece com o tempo nem com lavagens. Para ambientes que precisam de higienização frequente, como clínicas e hospitais, o poliéster IFR é a escolha mais indicada: suporta lavagem em temperatura alta e desinfecção sem perder o comportamento antichama.

2. Material com aditivo antichama incorporado na fabricação

Algumas espumas e tecidos já saem da fábrica com aditivo retardante de chama incorporado na massa ou na fibra. No caso das espumas, a classificação segue a NBR 9442 em graus: Classe B (Ip entre 25 e 75) e Classe A (Ip abaixo de 25, a mais restritiva).

Esse tipo de material vem com laudo de fábrica, o que facilita a documentação: o profissional entrega o laudo do fabricante ao cliente, sem precisar contratar um serviço adicional.

3. Ignifugação: tratamento aplicado depois

É possível tornar um material comum em antichama aplicando um produto ignifugante após a fabricação. O resultado atende às normas, mas tem uma limitação importante: o efeito diminui com o tempo e com lavagens. Por isso, para materiais que passam por limpeza regular, a ignifugação precisa ser refeita periodicamente.

O serviço gera um laudo de ignifugação com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), que é o documento aceito pelo Corpo de Bombeiros para comprovar a conformidade. Sem laudo, o material não tem validade no processo de AVCB.

Quando o AVCB exige material antichama

Nem toda obra precisa de material antichama. A exigência depende do tipo de edificação e do uso do espaço.

De forma geral, o AVCB com exigência de CMAR para revestimentos e estofados se aplica a:

A lista exata varia por estado, porque cada corpo de bombeiros estadual publica suas próprias Instruções Técnicas (IT). A do CBMSP (São Paulo) é a IT-10; a de Santa Catarina é a IN 18. A lógica é a mesma em todas, mas os detalhes e prazos podem diferir.

Para residências e estofados particulares, a exigência normalmente não se aplica, a menos que o cliente informe que o local precisa de AVCB.

O que fazer em cada caso

O primeiro passo é sempre perguntar ao cliente: o espaço precisa de AVCB? Se a resposta for sim, o caminho muda.

Se o cliente precisa de AVCB:

Se o cliente não precisa de AVCB:

O caso da espuma

A espuma de poliuretano convencional, a mesma usada na maioria dos estofados residenciais, é inflamável por natureza. Para obras com AVCB, ela precisa ser substituída por espuma com aditivo antichama certificada ou passar por tratamento de ignifugação antes da montagem.

O tipo e a densidade da espuma são decisões separadas. Você pode usar uma espuma D28 (boa para assentos) com aditivo antichama, por exemplo. As duas características não se cancelam. Se você ainda não domina a escolha de densidade, o artigo sobre D18, D28 ou D33 explica cada aplicação.

E os sintéticos: courvin, vinil, PVC?

O comportamento dos sintéticos diante do fogo varia pelo tipo de polímero. PVC e vinil tendem a não propagar a chama porque o cloreto presente na composição age como retardante natural. Já materiais à base de poliuretano ou poliéster podem fundir e pingar, o que pode ser tão perigoso quanto propagar a chama.

Para obras com AVCB, não basta o material “não pegar fogo” no teste informal. É o laudo que vale. Se o fornecedor do sintético não tiver laudo CMAR, o material não serve para esse tipo de obra, mesmo que tenha bom comportamento diante do fogo.

O laudo é o documento que protege o profissional

Em uma vistoria do Corpo de Bombeiros, o que está em julgamento não é a sua palavra sobre qual material você usou: é o papel. Um laudo de ignifugação com ART emitido por engenheiro habilitado, ou o certificado de fábrica de um material com aditivo, são os únicos documentos com validade técnica.

Trabalhamos com tecidos, espumas e sintéticos com laudo, para quem precisa atender esse tipo de exigência. Se tiver um contrato de hotel, clínica ou espaço comercial em vista e quiser conferir quais materiais têm a documentação certa, entre em contato pelo WhatsApp. O time indica as opções para cada caso.

Para o estofador, guardar esses laudos também é uma proteção em caso de sinistro. Se um incêndio acontecer no local e a causa ou o agravamento for investigado, o profissional que instalou material com documentação está coberto. Quem não tem papel, assume um risco que não precisa assumir.

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